
De acordo com dados do Conab, o consumo per capita de carne vermelha no Brasil será de 32 kg por pessoa, mostrando um constante aumento desde a pandemia. Além disso, o Brasil bateu um novo recorde de exportação de carne bovina no primeiro semestre de 2024, com uma quantidade de 1,29 milhão de toneladas, um aumento de 27,3% quando comparado com o mesmo período no ano passado. Tais dados mostram uma realidade onde a carne vermelha é soberana na alimentação e na exportação brasileira, concentrando a maioria do lobby e do investimento econômico.
O projeto Pescado para Saúde, uma pesquisa desenvolvida por um consórcio de instituições de pesquisa que inclui o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), instituição sede do projeto, em co-execução com o Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), procura modificar esta exata realidade fomentando o consumo do pescado como opção saudável.
Segundo o pesquisador Daniel Lemos, professor do Departamento de Oceanografia Biológica e coordenador geral do projeto, “O pescado é um alimento comprovadamente mais saudável que a maioria das carnes terrestres e ele tem um consumo muito baixo no Brasil e no Estado de São Paulo, então queremos fomentar por meio de pesquisa aplicada esse maior consumo.”
O projeto conta também com a participação de empresas brasileiras como Polinutri e Neogen, e estrangeiras como Biomar (Noruega), Veramaris (Países Baixos), Lesaffre (França) e AquaHana (Estados Unidos). Já entre os órgãos governamentais estão a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) e a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). O projeto conta ainda com Albert G. J. Tacon, autoridade no tema e atuante em vários países, como pesquisador visitante.
Com o apoio de cada instituição parceira, o projeto desenvolve pesquisas aplicadas sobre o pescado, procurando comprovar os benefícios em fomentar o consumo e utilização dos co-produtos do pescado para a saúde humana, além de elaborar aplicações de políticas públicas e recomendações dietéticas.
Segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a tilápia é a proteína que mais cresce em consumo mundial, apresentando um avanço de 3,1% de 2022 para 2023. E, para Lemos, o Brasil apresenta altas e propícias chances de enriquecer este mercado. “O Brasil tem todas as condições e será um grande produtor de pesca por criação, pois tem todas as condições de fazer na água, o que fez na terra com grãos e com carnes.”
E, além dos benefícios à saúde, o projeto também reitera a importância econômica que esse novo enriquecimento abriria para o mercado econômico brasileiro, desconcentrando investimentos no agronegócio de carne bovina e incentivando um novo campo econômico com grande possibilidade de crescimento, ao mesmo tempo que diminui os custos sobre o produto, acessibilizando o consumo de pescado à população.
“Haverá um aumento de opções e investimentos por exemplo, de estrangeiros em novas empresas, pois quanto maior o desenvolvimento, maior o mercado e maior os investimentos quanto, sem dúvida, o Brasil é visto como uma futura potência nessa área de produção”.
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