O livro Animais Pré-Históricos do Brasil: O Guia Ilustrado compila o trabalho de pesquisa do biólogo Felipe Alves Elias sobre fósseis que habitaram o território brasileiro. Com cerca de mil desenhos de vertebrados, o guia divulga a diversidade da fauna pré-histórica do país, ainda pouco conhecida pelo público. A obra foi lançada no dia 26 de julho no Museu de Zoologia da USP (MZ-USP).
Na publicação, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos são representados em pranchas, um tipo de ilustração científica que apresenta, de forma didática e sistematizada, informações e estruturas de cada espécie.

O atlas taxonômico também introduz o leitor à história geológica do país, abordando as transformações geográficas e climáticas ocorridas ao longo do tempo, além de informações sobre a origem e localização dos vestígios encontrados.
Em entrevista à Agência Universitária de Notícias, Felipe Alves Elias, que atua na Divisão de Difusão Cultural do MZ, explicou que o objetivo do guia é democratizar o conhecimento científico e divulgar o trabalho paleontólogo ao público. “A gente tem uma riqueza fóssil que ajuda a contar a história da megadiversidade do Brasil, e o público não tinha acesso a isso”, afirmou.
Brasil que poucos conhecem
O Brasil é o país mais biodiverso do planeta. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, são mais de 124 mil espécies da fauna e mais de 44 mil da flora, distribuídas pelos biomas terrestres e ecossistemas marinhos.
A grande variedade de organismos vivos abrigada no território brasileiro se explica por fatores como o clima, as configurações geográficas e a formação geológica. Os fósseis — restos de seres vivos preservados em rochas ao longo do tempo — ajudam tanto a reconstruir a história de vida da região, como a compreender o cenário biológico atual.
Apesar da importância dos registros paleontológicos para o entendimento da natureza, a pré-história nacional ainda é pouco conhecida pelo público. De acordo com Felipe, embora exista um apelo midiático pelo tema, impulsionado por filmes, livros e brinquedos, boa parte desse material é importado de outras culturas. “As crianças crescem brincando com tiranossauro, toda aquela fauna que mexe com o imaginário, mas que não representa o nosso passado”.
A escassez de conhecimento sobre o passado do Brasil levou Felipe a reunir trabalhos que descreviam fósseis brasileiros de diferentes espécies, e a organizá-los por região e faixa temporal. A partir do levantamento feito ao longo da pós-graduação, ele começou a ilustrar os espécimes documentados.
A fim de expor o estudo de 20 anos, o pesquisador criou o site Paleozoo Brasil, que reúne um catálogo da antiga fauna nacional. A repercussão positiva da plataforma entre pesquisadores, estudantes e o público em geral contribuiu para o desenvolvimento do livro Animais Pré-Históricos do Brasil: O Guia Ilustrado

Alerta do passado para o presente
Com aproximadamente 4,5 bilhões de anos, a Terra já passou por pelo menos cinco extinções em massa. Esse fenômeno é caracterizado pelo desaparecimento de grande parte das espécies em um curto período geológico e com efeitos em escala global. A mais famosa delas ocorreu há 65 milhões de anos atrás, no Cretáceo, período da Era Mesozóica em que grande parte dos dinossauros foi dizimada.
Ao longo da história do planeta, todas essas extinções tiveram causas naturais, como mudanças climáticas intensas, erupções vulcânicas e o impacto de asteroides. Hoje, porém, os cientistas alertam para um novo cenário: uma sexta extinção em massa estaria em curso, desta vez provocada por uma única espécie, o Homo sapiens.
O termo Antropoceno tem sido usado para descrever esse período em que as ações humanas passaram a alterar de forma drástica o clima e os ecossistemas da Terra. A exploração dos recursos naturais e a produção industrial aumentam as emissões de gases de efeito estufa, a contaminação do solo e a acidificação dos oceanos.
Os fósseis revelam as consequências das condições climáticas adversas do passado, semelhantes às que observamos hoje, embora tenham causas distintas. “O registro fóssil oferece exemplos das consequências promovidas por essas alterações”, afirma o especialista. Ele ainda alerta: “Hoje, o que torna a sexta grande extinção tão emergencial é porque ela nos afeta diretamente, nós somos parte dessa biodiversidade e muito provavelmente teremos consequências bastante graves”.

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