Papel da vitamina D na pandemia demanda aprofundamento de estudos

Grupo de pesquisadores da USP aponta necessidade de desenvolvimento de estudos sobre a relação da vitamina D com a cura e prevenção do Covid-19

Exposição ao sol é uma das principais formas de obtenção de vitamina D

A vitamina D, que exerce um importante papel na formação óssea e na prevenção e cura do raquitismo, pode ter relação com a prevenção da Covid-19, de acordo com estudos da Università degli studi de Turin. A professora Helena Ribeiro, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, em um artigo publicado na Revista de Saúde Pública em 2020, aponta que a hipovitaminose D (a falta de Vitamina D no organismo) poderia ser um fator de risco para infecções respiratórias, pois prejudica o sistema imunológico, entretanto explica que ainda não há estudos o suficiente para confirmar a relação direta entre o tratamento e prevenção da Covid-19 e a Vitamina D e reforça a necessidade de que mais estudos sobre o tema sejam conduzidos. 

A pesquisadora conta em entrevista que, na época da publicação do artigo italiano, estava estudando os níveis da vitamina D em diferentes latitudes, em conjunto com grupos de pesquisa de outros países. Durante essa pesquisa, o grupo se deparou com um artigo sobre a alta mortalidade de idosos por Covid-19 no norte da Itália. Dois médicos ortopedistas levantaram a hipótese de que isso poderia estar relacionado à carência de vitamina D, um problema comum entre os idosos daquela região. “E aí nós resolvemos fazer uma pesquisa bibliográfica sobre o tema e publicamos aquele artigo”, comenta Helena.

Ela reforça que não há nenhum estudo conclusivo que relacione a alta mortalidade pelo Covid-19 à hipovitaminose D: Não tem estudos clínicos randomizados que poderiam provar estatisticamente que a falta de vitamina D leva a uma maior mortalidade, mas alguns estudos epidemiológicos têm evidenciado isso. Ela explica que a maioria das pesquisas feitas foram realizadas em ratos e, neles, a ingestão dessa vitamina melhora a condição respiratória, mas não há estudos comprovados cientificamente que tenham sido feitos em humanos. 

A principal fonte de vitamina D é a radiação ultravioleta B (UVB), emitida pelo sol. Helena comenta que é recomendado que a exposição diária à luz solar seja de aproximadamente meia hora, principalmente na região das pernas e da barriga, que absorvem melhor a radiação, permitindo a síntese da vitamina. Além disso, uma parcela menor da quantidade diária da vitamina pode ser obtida através de alimentos como peixes gordurosos, cogumelos e gema de ovo. 

Essas duas formas de obtenção da vitamina D explicam o porquê de a população idosa ser a maior atingida pela hipovitaminose D: a mudança de apetite e hábitos alimentares, a mobilidade reduzida e a vida em casas de repouso ou outras instituições podem afetar os dois principais fatores responsáveis por sua síntese. 

Não há dúvida de que a vitamina D seja indispensável para a saúde dos seres humanos, portanto, mesmo em cenários normais, sem pandemia, deve-se incentivar a pesquisa sobre o tema.

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