Caso Samarco e Mariana é modelo para prevenção de outros desastres

Pesquisa da USP pretende criar recomendações para empresas evitarem tragédias

Igreja atingida por lama após rompimento de barragem de rejeitos da mineradora Samarco. Foto: Bruno Mazzola.

Após dois anos do maior desastre ambiental do País, as consequências ainda ocorrem. A cidade de Mariana, que foi devastada com o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, sofre, hoje, com o desemprego. A tese de doutorado de Bruno Mazzola Teoria de stakeholders e gestão de crises ambientais: o caso de Mariana (MG) pretende entender por que uma organização permite a ocorrência de tragédias como essa. O pressuposto do estudo é que, além da responsabilidade financeira para com os donos e sócios, as empresas têm um papel social.

O objetivo de sua tese é chegar a recomendações para que uma organização se atente e faça o máximo para impedir desastres como o de Mariana. Mas, caso aconteça, Mazzola também quer sugerir maneiras para a organização responsável retomar rapidamente as condições pré-desastre para os afetados, isto é, os stakeholders, com o mínimo de impacto na vida deles. “O risco é inerente a uma operação dessas, mas, quanto mais a empresa se preocupa, menos provável que ele se concretize. Ou, se acontecer, ela está mais preparada para enfrentar isso”, afirma o pesquisador.

Para isso, Mazzola está analisando as ações da Fundação Renova, representante da Samarco nesse gerenciamento de crise, frente aos atingidos (meio ambiente e sociedade) e relacionando-as com licença social para operar. “A licença social é como uma aceitação ou aprovação por parte da sociedade e, especialmente, das comunidades locais, em relação às operações de determinada empresa”, explica. 

Calendário de escola em Bento Rodrigues, Mariana, marca o dia do desastre. Foto: Bruno Mazzola.

Da mesma maneira que um stakeholder é afetado pelas atividades de uma organização, ele também tem o poder de influenciar a atuação dela. “Depois que a barragem se rompeu, grupos críticos e grupos a favor da operação da Samarco começaram a se formar”. O pesquisador afirma que esses conjuntos que se uniram após o desastre agora são stakeholders porque impactam a vida da empresa.

Mazzola acredita que a importância de seu trabalho é alertar as organizações para estarem preparadas. Principalmente no Brasil, país não atento aos riscos, já que, normalmente, não acontecem catástrofes naturais. Mas, hoje, esperando o cenário de grandes mudanças climáticas, cada vez mais as corporações devem se precaver. “Não se preparar é ser negligente. É desconsiderar o peso de vidas humanas”, defende o pesquisador.

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